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LORELT
Lontano Records Limited

Review of LNT124: Francisco Mignone - Piano Music

Carlos Dantas, Tribuna da Imprensa (Portugues)

Francisco Mignone - Piano Music Subiu a estrela

A estrela sobe. Tão comum a expressão. Mas tantas vezes realmente confirmada. Bem assim nos ocorreu quando ouvimos a então meninota Clélia Iruzun no início da carreira pianística. Ficou tão patenteada a soma de qualidades, quer sob o ângulo material quer no âmbito expressivo, não podendo restar dúvida quanto ao desenvolvimento exitoso a aguardar-lhe. Uma estrela que subia.

A subida foi pontilhada sempre de vitórias em certames locais e internacionais, de estímulo da parte de autoridades como Jacques Klein, Nelson Freire. Das aulas formais com a mestra Maria Curcio resultou para Clélia Iruzun uma bolsa de estudos na Royal Academy of Music, em Londres, aí recebendo ensinamentos de Christopher Elton e, posteriormente, de Mercês de Silva Telles (em particular o aprimoramento na observação dos estilos).

A ascensão artística de Clélia Iruzun já de há algum tempo a fez engastada na constelação mundial dos mais interessantes intérpretes pianísticos. De fato, subiu a estrela. Faz-se brilhantemente visível em concertos e recitais no Ocidente e no Oriente. Sua recente "tournée" chinesa mobilizou vasta porção de público para ouvi-la no Grande Teatro de Xangai e na Sala de Concertos da Cidade Proibida, em Pequim (Clélia reside na capital britânica).

Indispensável registrar na carreira de Clélia Iruzun seu inconsútil apego à obra do nosso grande compositor Francisco Mignone. Este, desde que a ouviu, tornou-se um mentor especial e até lhe dedicou uma Suite. Ao longo de sua vida, o mestre nunca cessou de admirar e aplaudir esta brasileira de origem basca, intéprete ideal do que ele compôs para piano. Prova de tal qualificação interpretativa é o CD (selo Lorelt Records Ltd.) que Clélia acaba de lançar entre nós.

Todas as faixas pertencem à inventiva de Mignone. São em número de 33, uma legítima panorâmica do que escreveu para teclado. Abrange o que Mário de Andrade chamava de fase negra, "caracterizada pela utilização do nosso fundo afro".

A famosa "Congada", por sinal, abre o CD. Não faltam Valsas ("de esquina", "brasileira", "valsa-choro"). Constam também as cinco peças dedicadas à própria Clélia - e mais páginas outras representativas da possança composicional do inesquecível autor. Só para concluir, Clélia Iruzun tocas-as todas de maneira admirável. Verdadeiramente estelar.

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